30 novembro, 2011

Quantas vidas tem uma mãe?

Morro várias vezes por dia. De tanto amor. Nos momentos mais remotos do nosso dia-a-dia me pego abobalhada olhando para aquele rostinho miúdo, aquele olho azul, aquela covinha na bochecha direita, aquele cabelo enroladinho assanhado, aquela pele branquinha, os olhares curiosos, as caras engraçadas que ela faz. Observo o jeito que ela segura as coisas, o jeito que se movimenta. Morro de amor! É muita graciosidade pra um bebê só. Tenho em casa todo o amor desse mundo em forma de mini-pessoa.

Eu a vejo crescer e se desenvolver, aprendendo a se comunicar, a se alimentar sozinha, como compreende, como raciocina, como é inteligente... Morro de orgulho!

Aí invento de ensiná-la a pegar no sono em seu berço ao invés de no nosso colo. E sofro uma morte dolorida demais. Morro de dó ao vê-la pegar no sono sozinha. Minha vontade é de tirar ela daquele berço, a segurar bem forte em meu peito e nunca mais soltá-la.

Morro, morro, morro.

28 novembro, 2011

Apaixonada por gatinhos

Mané rasgar papel, fazer som bobo ou assoar o nariz. Pra Leah, engraçado mesmo é assistir vídeo com fotos de gatinhos no youtube!

24 novembro, 2011

Give thanks

Hoje é Thanksgiving, Dia de Ação de Graças, um dos maiores feriados americanos. O Thanksgiving é celebrado com um jantar farto, muito farto. Mas o que eu gosto nesse dia é que as pessoas não pensam só na comilança e no dia de folga, elas realmente param pra pensar no que são gratas. E quando a gente para pra pensar pelo que somos gratos, vemos nossas bençãos e todas as coisas boas que temos e que as vezes são esquecidas. É uma boa reflexão, então eu fiz minha listinha das coisas que sou mais grata:
1 Acima de tudo sou grata a Deus, Jesus Cristo e ao evangelho restaurado na Terra hoje, sem eles eu não seria e nem teria nada pra agradecer por.
2 Sou grata pelos meus pais e irmãos, a família em que nasci e que constitui minha base e também pelo país em que nasci e que faz parte de quem eu sou.
3 Sou grata pela minha casa e meu país de residência. Grata por ter um lugar aquecido e confortável pra viver em uma terra livre.
4 Sou grata pela natureza linda e perfeita que encanta ao homem e testifica a divindade de Deus.
5 Sou grata pela medicina que aumenta nossas esperanças na vida, e pela tecnologia que facilita vidas, sem a qual eu não teria conhecido meu amado.
6 And last but not least, sou grata pela família que construí. Por ter um marido que me ama, me ajuda, me apoia e me faz feliz. Pela filha linda e amorosa que me ensina todos os dias o que realmente é amor incondicional. E pelo amor que eles dois juntos me dão e que transborda em meu coração.

The love of a family is life's greatest treasure.

20 novembro, 2011

De volta ao meu aconchego

Minha viagem de volta foi tão cheia de mazelas que vou tentar resumir aqui ao máximo pra não encher muito vocês.

Tudo começa com um escândalo na hora de fazer meu check-in no aeroporto de João Pessoa. Uma mulher que foi impedida de viajar  armou o maior barraco, arrancou o computador e jogou no atendente, jogou as malas nele, gritou, xingou, esperneou até cair no chão desmaiada. O barraco rendeu mais de meia hora de atraso pro sistema voltar a funcionar e a fila andar. Quando chega minha vez não queriam me deixar viajar por que eu precisava de uma autorização do pai pra viajar com minha filha. Como assim precisa de autorização pra viajar com a própria filha? E eu ainda tinha ido até lá sem autorização nenhuma. A confusão foi grande, quase perdi o vôo, mas consegui as passagens bem em tempo pro embarque.

Escala no Rio de Janeiro, novo check-in, mais uma vez pediram pela tal da autorização, mas dessa vez eu consegui resolver rapidinho mostrando os documentos dela. Quando o avião está quase decolando surge uma suspeita de problemas técnicos na aeronave e temos que esperar os mecânicos dar uma olhada. Acabou que não tinha nada de errado, mas atrasou o vôo em duas horas e chegamos em Atlanta na exata hora em que meu próximo vôo deveria estar saindo.

Passagem remarcada, tinha que esperar umas 2 horas pelo próximo vôo. Leah dormiu e eu sentei um pouquinho mais atrás do meu portão de embarque, liguei meu computador pra ficar de olho na hora, já que eu estava sem relógio e o celular descarregado, e começei a ler um livro. Deu a hora do embarque e estranhei a falta de movimento no meu portão. Então fui lá pra verificar e vejo na telinha que aquele portão estava com outro destino e vejo então a hora local: uma hora a mais do que eu achava que era. Meu computador tinha a hora daqui de Minnesota que é uma hora a menos de lá da Georgia. Eu não quis acreditar! Fui até algum funcionário perguntar se aquela era mesmo a hora e se eu tinha perdido o vôo. Me senti a mais idiota das criaturas!! Como eu estava ali praticamente na porta, esperando desde cedo e perco meu vôo?! Como?! É, parece que o livro é mais envolvente do que eu pensei, eu não vi nada. Não ouvi chamada de embarque, não vi movimento de pessoas no meu portão, nada. Lá vou eu remarcar minha passagem de novo e: os próximos vôos estavam lotados, só tinha vaga em um vôo de 6 da noite. Detalhe: era 11:00 da manhã!!! Eu quase tive um treco só em pensar em passar o dia todo naquele aeroporto por pura leseira minha!! E aí a moça fala:
- Olha, o próximo vôo pra lá sai de 12:30 no portão tal. Vai lá e fala com o pessoal pra ver se eles conseguem uma vaga pra você. Se não conseguir, tenta no próximo. Espero que você não esteja aqui até às 6 horas.
- Papai do Céu te ouça, moça!

E então eu fui lá, o embarque já estava começando. Fiz a maior cara de coitada, falei que tinha perdido um vôo por atraso e omiti a parte que perdi outro por leseira. E que ia ter que ficar ali até as 6 horas com um bebê. Um atendente falou com outro, que falou com outro, que mexeu no computador e me deu uma passagem. Obrigada Senhor!! Sentei na janela da última fila, o vôo foi completamente lotado. Não sei se tava mesmo sobrando aquela cadeira ou se de alguma forma me arrumaram aquele lugar. Só sei que eu estava finalmente voando pro meu destino final e nunca me senti tão feliz por entrar em um avião.
Ah, detalhe engraçado. Eu ainda tinha que avisar a meu marido que tinha conseguido embarcar naquele vôo pra que ele pudesse ir me pegar no aeroporto (que fica a uma hora e meia de casa). Lá vou eu morta de vergonha pedir um telefone emprestado. Quando pergunto a um Senhor se ele teria um telefone que eu pudesse fazer uma ligação rapidinho, ele pergunta assustado (por causa do meu sotaque) "pra qual país você vai ligar?" kkkkkkkkk

E depois de longas 26 horas de viagem, passando esses perrengues todos com um bebê a tira colo, cheguei em casa inteira. Leah se comportou bem, deu o trabalhinho básico por querer brincar e se movimentar, mas esbanjou charme caminhando no corredor dando tchauzinho pra cada pessoa no avião. Ela se acostumou bem de volta as coisas aqui. O que deu mais trabalho foi pra voltar a dormir no berço, mas agora ja acostumou.

Note for myself: Viajar sozinha com bebê só em caso de real necessidade. Se viajar, ter sempre a autorização do pai, nem que seja pra ir na cidade vizinha. E nunca, nunquinha confiar na hora do meu computador.
                            

14 novembro, 2011

É hoje que só chego amanhã

Estou aqui a caminho do aeroporto, voltando pra casa, triste pela partida e animada pra chegada. Sabe como é né? Enquanto isso eu penso aqui com meus botões como será retornar à rotina quando chegarmos em casa...

1. Desse mês e meio que estamos aqui, Leah dormiu a primeira semana comigo na cama, durante as 3 semanas que o papai tava aqui ela dormiu alguns dias conosco e outros em outra cama. E há pouco mais de duas semanas que ela dorme comigo de um lado e a vovó do outro. É uma delícia, mas como será pra ela voltar a dormir sozinha no berço? =(

2 Todos os dias aqui ela acordava às 5 am. Pra minha alegria, minha mãe também acorda essa hora e saía pra caminhar com Leah. Espero muito que esse horário de acordar dela mude e que ela não corra pra porta querendo passear às 5 da manhã no escuro e muito frio. 

3 Não tinha cadeirão pra ela comer, eu a sentava no meu colo, mas ela não ficava muito tempo e eu tinha que correr atrás dela pra dar a comida. Tomara que ela volte a comer no cadeirão como antes.

4 A cadeirinha de carro dela aqui não tem aquela trava no peito e ela acostumou a andar com os braços soltos. Será que ela vai gritar e espenear tentando soltar os braços ou vai voltar a sentar na sua cadeirinha feliz da vida e com o cinto devidamente afivelado?

Devaneios de uma mãe.

Vamos esperar que durante a viagem de volta ela se comporte tão bem quanto na vinda.

Oremos.

07 novembro, 2011

Orgulho de ser nordestina



Leah veste: chapéu de couro - estilo cangaceiro e vestido de algodão naturalmente colorido. Produtos Paraibanos. Ela é norte americana por nascimento e brasileira nordestina por herança.

Eu quase não assisto televisão, as grandes notícias acabo sabendo pelas redes sociais. Então não estou tão por dentro das notícias, mas me parece que agora qualquer coisa envolvendo o nordeste, como enchentes, apagão, prova do enem, etc, é motivo pra demonstração de preconceito através das redes sociais. Daí que eu estava lembrando desse texto que vim compartilhar aqui hoje, escrito na época em que a Dilma foi eleita presidente. Não que eu ache que os nordestinos precisam se defender, como o texto bem diz, devemos ficar quietos, nossa história e contribuição para esse país falam por si só. Se o Brasil não vai pra frente é por conta de pessoas com esse tipo de preconceito, mentalidade e atitude, e não por causa dos nordestinos. Posto esse texto aqui não pra menosprezar as outras regiões, mas sim pra mostrar, aos que não conhecem, um pouco das belezas de minha terra.

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!
Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?
Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?
Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?
Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial  Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos... pasmem... PAULISTAS!!!
E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.
Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.
Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura...
Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner...
E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melodias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia...
Ah! Nordestinos...
Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?
Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.
Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!
Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!
Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário... coisa da melhor qualidade!
Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso... mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!
Minha mensagem então é essa: - Calem a boca, nordestinos!
Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.
Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.
Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”
    Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!


José Barbosa Junior, na madrugada de  03 de novembro de 2010.

02 novembro, 2011

16 meses, a docura e as "birras"

Hoje minha boneca completa 1 ano e 4 meses.
Ela é um doce, super carinhosa, adora dar beijos. Quando vê um bebê ou criança, às vezes fica um pouco tímida, mas basta interagir um pouquinho e ela começa a beijar os coleguinhas. Me beija nos mais diversos momentos, no meio de uma brincadeira, ela segura meu rosto com as duas mãozinhas e... SMACK! Me beija quando estou dando sua comida, quando estou dando banho, mas gostoso mesmo é de manhã quando ela acorda. Estamos dormindo juntas e quando ela acorda eu continuo deitada com preguiça, ela aguarda pacientemente eu criar coragem pra levantar e fica sentadinha brincando ou deitada mesmo e nisso me enche de beijos, é tanto beijo e abraço que me derreto toda. Então eu a agarro e beijo também e ficamos lá uns bons minutos nessa agarração. É muito amor!


Em contradição a essa docura toda, ela agora sabe me matar de vergonha com suas birras demonstrações públicas de personalidade. A menina é geniosa e não aceita ser contrariada. Quando ela ta chorando nervosa e eu tento acalmá-la com alguma coisa, é pior, ela joga essa coisa bem longe e grita. Quando a impeço de fazer alguma coisa que não pode ela se joga no chão e chora. O primeiro ataque público aconteceu na Igreja. Estávamos na aula e ela pegou uma caneta, como eu não queria que ela riscasse os hinários e tudo mais, eu tirei a caneta dela e ia pegar a lousa mágica na bolsa pra ela desenhar, antes mesmo de eu abrir a bolsa a menina já estava jogada no chão, gritando. Fiquei passada! E no final da aula lá estava ela, boazinha beijando um menino que tinha acabado de conhecer.

Ah, mas eu amo muito minha docinho geniosa! ^^