08 novembro, 2012

Bebês choram o tempo todo?

Ou

A vida com um recém-nascido.


Não tenho intenção de fazer desse um "blog cor de rosa" como se diz por aí. Mostrando só as maravilhas da maternidade e fingindo que as dificuldades não existem. Mas também se uma fase pra mim foi cor de rosa, não vou vir falar dela aqui no blog pintada de preto né?

Tenho recebido aqueles boletins do Baby Center por email, com o desenvolvimento da gravidez a cada semana e links sobre outros tópicos. Lendo uma coisa e outra uma frase pequena me intrigou: babies cry all the time. Nem sempre Baby Center, nem sempre.

A vida com um bebê novinho é frequentemente definida como caos. Dos relatos que vejo de como é ter um recém nascido em casa resume-se basicamente assim: bebê chora o tempo todo, a mãe faz de tudo pra acalmar, alimenta, troca fralda, agasalha, desagasalha, balança nos braços, balança no carrinho, deita o bebê, pega o bebê, mostra brinquedinhos, canta, dança, chora junto, quando o bebê finalmente dorme a mãe o deita no berço e como se tivesse espinhos nos colchão, o bebê acorda se esguelando e o ciclo recomeça. E entre tudo isso a mulher tenta cozinhar, lavar, passar, espanar, organizar e ainda ficar linda, maquiada, perfumada e depilada. Nesses primeiros meses não sobra tempo pra nada, muito menos pra si própria, a casa vira uma zona, as mães ficam exaustas, com a auto-estima baixa e mais frequente do que gostaríamos, tem depressão ou baby blues (esses últimos nada tem haver com a rotina, são culpa dos hormônios marditos).

Mães que se identificam com o relato acima, não me odeiem, mas deixa eu resumir minha experiência com minha recém nascida: Leah raramente chorava. Dormia muito e enquanto ela dormia eu tinha tempo pra fazer muita coisa. Saí do hospital horrorosa, aceitando o fato que tinha chegado minha hora de embarangar e pronto. Mas sequei rapidamente, cortei a juba enorme e sem graça e logo me senti linda e glamourosa. Sair com ela recém nascida era ótimo, ela dormia o tempo inteiro ou ficava quietinha; íamos pra todo canto com ela. Todo o primeiro ano de Leah foi assim, ela dormia bem, comia bem, chorava quase nada. Foi muito tranquilo, foi lindo, foi cor de rosa purpurinado. Claro que tive meus perrengues também. Sim eu saia do banheiro com só uma das pernas depilada, esquecia de comer, de escovar os dentes, comi muito com uma mão só enquanto ela mamava, passava o dia de pijama, a casa ficava de lado. Tudo isso faz parte. Mas não foi nem de longe um caos.

Devo só ter tido sorte de ter uma bebê boazinha. Mas tem alguns fatores que acredito que influenciaram pra que meus primeiros meses como mãe fossem suaves:

1) Auto-confiança.
Existe um pressão muito grande especialmente com as mães de primeira viagem. Vai aparecer um monte de gente pra te dizer como fazer, como ser mãe. São tantas opniões diferentes, tantas coisas novas, tantas possibilidades que a mãe fica perdida e procura um alguém, uma teoria ou um livro como guia e esquece de olhar pra si mesma, de ouvir seus instintos. Esquece que maternar é um processo natural, e não um método com regras pra se seguir. Temos sim que buscar informações sobre saúde e desenvolvimento, com bases científicas. Mas ninguém pode te dizer como cuidar do teu filho, que rotina estabelecer, quantas horas deixar chorando, quantas horas esperar entre uma mamada e outra...

2) Compreender o sono dos bebês.
Uma coisa que aprendi com Leah foi que bebê que dorme bem = bebê feliz = mamãe feliz. Recém nascidos dormem o dia todo. É difícil mantê-los acordados até pra mamar. De onde vem essa história de que só choram? Eles só dormem! Eu não sabia que dormiam tanto e me ajudou muito saber que bebês novinhos não aguentam mais que duas horas acordados. Leah aguentava só uma hora. Bebê cansado demais fica irritado, choroso e pasmem, não consegue dormir! Aguardem um post só sobre sono, porque esse assunto rende demais.

3) Não ter medo de mimar ou de ser controlada.
O melhor conselho que ouvi veio de uma enfermeira quando eu estava saindo do hospital "Descanse quando o bebê dormir. Aceite ajuda. E pegue o bebê no colo quando ela pedir, recém nascidos não podem ser mimados". A imagem que se faz por aí é de que bebês são seres mimados, ditadores tiranos que querem controlar sua vida. Colo é uma necessidade básica tanto quanto comer e dormir. Pegar seu bebê no colo não quer dizer que você está virando escrava dele, nem o mimando. Bebês não sabem que você tem outras coisas pra fazer, que tem vida própria, sabem apenas que você é o mundo deles. Até por volta dos 8 meses, os bebês acham que a mãe é uma parte deles, como um terceiro braço. Imagina que pavoroso deve ser um braço sumir de repente.

4) Marido.
Botem os maridos pra trabalharem gente. Quando eu não conseguia fazer as coisas de casa, o marido assumia. Lavava os pratos, botava as roupas na maquina pra lavar e cozinhava. Ou cuidava da bebê pra eu fazer. Mas não esperem que o marido vai chegar em casa, perceber a zona e começar as fazer as coisas por conta própria. Ele não vai mesmo, você precisa pedir. E aceite o jeito dele de fazer as coisas. Ele também não vai acordar de madrugada, as vezes nem quando o bebê tá berrando. Mas você pode acorda-lo e pedir ajuda. Não podemos esperar que eles irão fazer tudo do mesmo jeito que nós faríamos, eles simplesmente funcionam diferente.

Minha mãe não estava aqui logo que Leah nasceu e apesar de ter a segurança de ter minha sogra por perto, alguém próximo pra correr em caso de desespero, eu estava mesmo animada pra aprender tudo por conta própria. Marido tirou as duas primeiras semanas de férias, ele é meu porto seguro, mesmo ele sabendo menos do que eu como cuidar de um recém nascido. Foi uma delícia aprender tudo com ele ao meu lado. Americanos são pessoas que respeitam muito teu espaço e privacidade. Nas primeiras semanas pessoas me trouxeram refeições, mas nem passavam da porta. Amigos mais próximos entravam pra ver o bebê, mas saiam rapidinho. No segundo dia com Leah em casa, enquanto nos preparávamos pra dar o primeiro banho nela, minha sogra chegou pra deixar o jantar. Quando viu o quê estávamos fazendo ela logo se apressou em sair. Eu sabendo que ela devia estar louca pra segurar e babar muito a primeira netinha, perguntei pra onde ela ia com tanta pressa e ela respondeu que adoraria ficar ali e nos ver nessa aventura de dar banho pela primeira vez na pequena Leah, mas não queria atrapalhar. Um amor né? Ela sabia que a gente não tinha idéia do que estava fazendo, mas só nos assistiu, sem se meter. As três primeiras semnas foi só eu e Alex, sem ninguém pra interferir, pra nos dizer como fazer. Tivemos nosso tempo pra nos adaptar àquela nova vida, em família. Já falei pra minha mãe só vir umas semanas depois que Kylie nascer também. Dessa vez já tendo Leah pra dar conta, ajuda nos primeiros dias seria ótimo, principalmente se vinda da minha mainha, mas quero novamente viver esses primeiros dias de adptação só nós 4.

Quando grávida de Leah, marido e eu fizemos uma classe de pré-natal que o hospital oferecia. E falando sobre os cuidados com o recém-nascido a enfeira falou que os bebês sempre dão sinal de fome antes de chorar: ficar colocando a língua pra fora da boca, chupar as mãozinhas e aquele choramingado sabe? sem ser choro, como uma reclamação. Ela disse que o choro é o último sinal que o bebê dá de fome, que é quando o coitado ja não ta aguentando mais. Depois disso, imaginar minha filha chorando de fome era pra mim uma cena horrível. Até tive um sonho em que eu estava dormindo e Leah no bebê conforto ao lado da cama. Ela tinha acordado e estava chupando as mãozinhas, dando sinal de fome, mas como eu estava dormindo, não vi. Ela então começou a chorar e eu acordei (no sonho e na vida real) me sentindo péssima por ter deixar minha filha chegar a chorar de fome. Então mamães, não precisa esperar o bebê chorar. Deu sinal de fome, peito (ou mamadeira) neles!
Acho que dá pra aplicar esse princípio em outras áreas também. Não precisa esperar o bebê estar super cansado e chorar de sono. Começou a bocejar, balança o pacotinho pra dormir. Não precisa esperar o bebê berrar dentro berço. Começou a reclamar, vai lá pegar. O choro libera o cortisol (hormônio do estresse) e quanto mais chorando o bebê estiver, mais difícil de acalmá-lo. Atender as necessidades deles antes que precisem gritar pra você com o choro, sem dúvidas, facilita muito.

Quando Leah tinha um mês, eu era apaixonada por todos os sons que ela fazia. Então fiz esse video com eles. E olha que legal, o choro nem ta incluído na listinha... ;)



A vida com um recém nascido não tem que ser caótica e pode sim ser uma experiência muito prazerosa. Ajuda muito ser tranquila, agir com o coração e não se preocupar tanto se o que está fazendo é certo ou errado ou se ta "estragando" o bebê. É preciso se dedicar, se entregar por inteira nesses primeiros meses tão importantes que passam voando e deixam tanta saudade.

19 comentários :

  1. que incrivél, ouvindo o video fui conseguindo imaginar a Leah em todas as situações, ADOREI =)

    vc conseguio descrever muito bem como deve ser, eu tive a mesma experiência que vc, Lavinia sempre foi tranquila e só dormia...

    beijão

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    1. Que bom Renata, mais uma pra testificar que essa fase pode sim ser tranquila. hehehe

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  2. Dayane! Muito lindo e verdadeiro o que você descreve. Eu também creio que a tranquilidade do bebê depende da tranquilidade dos pais. Beijos!

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    1. Também creio nisso Renata, mesmo não sendo regra. Há casos e casos...

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  3. Day, brigada, brigada, brigada, brigada!!
    É claro que eu sei que nem sempre é uma maravilha essa fase, mas eu quero pelo menos acreditar que é possível!!!
    No texto, vc escreveu, extinto no lugar de instinto, não sei se foi de propósito, mas eu acho que é bem isso mesmo: o instinto está se extinguindo mesmo, sendo substituído por livro, tecnologias e pitacos, o que é uma pena.
    De novo, obrigada por compartilhar sua experiência. E parabéns!!

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    1. Nana essa é a intenção do post. Não dizer que vai ser assim, mas mostrar que é possível.
      Não foi de propósito, já até corrigi. É isso que dá quando você fica com pouco contato com a língua mãe, antes de terminar de ler o que você escreveu tive que parar pra pensar na diferença... hehehe
      Mas é bem isso mesmo, instintos quase extintos.

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  4. Muito bonita sua experiência, vc já veio de fábrica com um instinto materno potente!! rsrs
    Adoro esse jeito de ser dos americanos e europeus, mais reservados, menos invasivos, isso é tao importante e tao simples de fazer.

    Amei o vídeo, grava um da Kylie também depois, vai ser muito bacana quando elas crescerem e assistirem juntas! :D

    Beijos!!

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    1. Ká, também gosto muito desse respeito que eles tem com o espaço e privacidade dos outros.
      Vou sim o video da Kylie também, to toda animada pra ouvir essas zuadinhas fofas de novo. hehehe

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  5. Davi tb pouco chorava. Só fazia dormir. Acho que as saídas eram bem mais tranquilas. Hj, ele só quer saber de sair correndo e ficar subindo em tudo. Rssrsrsrss

    Quando lembro daquela época, eu achava q era muito trabalhoso um RN, mas vejo q o desgaste físico mesmo só emplaca qd eles começam a andar.

    bja

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    1. Liza, depois que Leah completou um ano a história é outraaa... Eu mesmo acho o segundo ano muito mais trabalhoso e desgante. Cuidar de recém nascido é moleza comparado a um toddler... hehe

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  6. Olha que engraçado: eu tive uma experiência de cada. Com o Rapha, era o caos e ele só chorava. Já o Nicolas é super tranquilo, dorme bem e chora pouco.
    A grande diferença entre os dois? A mãe, lógico!
    Taí a grande culpa que sinto hoje sobre o Rapha. Ter sido uma mãe ansiosa e insegura atrapalhou demais seu começo de vida. Só pude perceber o tamanho disso qdo o Nicolas chegou.
    Beijos

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    1. Muito interessante, Ilana. A prova de que como agimos e nos sentimos afeta diretamente no bebê e na harmonia do lar.

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  7. Amiga, eu sempre digo que foi e é mais fácil do que tinham me contado! Canso de ouvir as pessoas dizerem que é um fardo, que RN é quase um cativeiro.
    Eu não concordo.
    O Enry foi um menino suuuuper tranquilo, dormia bem, comia bem, sem cólicas.. um amor!
    Qnto a dica de prestar atenção nos sinais, super válido. Enry tbm começava a chupar as mãozinhas, mas teve uma vez, acho que ele tinha uns três meses, que quase morri de remorso, não prestei atenção e ele ficou chupando o bracinho, chupou que ficou roxo acredita???? Eu quase infartei.

    E tranquilidade faz toda diferença sim!

    Beijos

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    1. Pois é Ivana, quando o assunto é recém nascido a gente só escuta história de terror! hehehe É bom saber que também existe outra realidade, e que pelos comentários nem é tão rara assim...

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  8. ô Dayane!! q delicia ler esse post.
    Miga to gravida de novo!!!
    e eu nao sabia isso das maozinhas, mas olha,
    uma das coisas q mais me deixava apavorada, era quando Rafa começava a chorar e nao se acalmva com nada!! de ficar roxa, mas de bravesa.
    Pq ela queria cama e nao colo.
    Minha filha sempre foi ao contrario, amava a cama e ficava brava no colo...
    estranho neh?
    e dificil pra mim lidar com isso, ja q sempre queria te-la bem pertinho..
    ate hj nao deita no hombro de jeito nenhum,
    so 30 segundos, mais q isso nao!
    nem comigo, nem com o pai, nem com ninguem!
    beijao querida.
    amo cada post q vc escreve, verdadeiro, delicia de ler mesmo.

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    1. Lu, que notícia ótima! Parabéns!
      Realmente a Rafa é caso raro. Hehehe Por isso é importante observar pra saber qual é a necessidade do bebê.

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  9. tinha deixado de blogar,
    tava so no facebook
    deixo aqui meu novo blog, ja ia esquecendo:

    varalzinhocolorido.blogspot.com

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  10. Super bacana sua experiência Dayane. Eu resolvi assumir sozinha - sem mãe e sem sogra. Eu e meu marido aprendemos muito. Mas o DPP me pegou. Por mais que a Bia dormisse, eu chorava todos os dias. Depressão foi algo que eu não esperava mesmo. :( Mas de resto, passa tudo muito rápido e só fica mesmo a saudade... Beijo

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    1. Cíntia, ninguém espera por uma dessa. Por mais que a gente saiba sobre, acho que todo mundo espera que não vai acontecer consigo. Você tem lindas histórias de superação e uma admiradora aqui viu?

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