24 setembro, 2014

Sobre (pré) escola

Alguns amigos no Brasil acham estranho que Leah, uma menina tão crescida(!), ainda não vai pra escola. Entendo. Afinal, em um país que tem escolinha até pra bebê, ver uma criança de 4 anos fora da escola é realmente um espanto. Então deixa eu explicar um pouco como funciona isso por aqui. 

Até os 3 anos não existe isso de escolinha. Para os pais que trabalham fora a opção é creche  (daycare), o que é muito diferente do que propõe uma escola. Daycare pode tanto ser um estabelecimento grande ou de fundo de quintal ou qualquer pessoa paga pra cuidar de filhos alheios. Eu mesma já fiz daycare aqui, o que no Brasil chamariam de babá, com a diferença que eu cuidava das crianças na minha casa, com minhas regras. 

3 e 4 anos é a idade pré-escolar. A pré-escola não é obrigatória, logo não é oferecida pelo governo. Se quiser que pague, e o preço é salgado. É também somente meio período dois ou três dias por semana. 

Aos 5 (ou 6) anos a criança ingressa no Kindergarten (jardim de infância). O ano letivo começa em setembro, então a criança tem que ter 5 anos completos até o dia 1˚ de setembro, depois disso tem que esperar até o ano seguinte, mesmo que faça 5 anos em 2 de setembro. Se não tem 5 no dia primeiro, tem que esperar mais um ano. Por causa disso, algumas crianças começam o kindergarten prestes a completar 6 anos. Para as crianças "novinhas", as que fazem 5 anos pouco tempo antes do início do ano letivo (o que é o caso de Leah), há a opção de esperar até o ano seguinte. Você pode decidir se quer que seu filho seja dos mais velhos ou dos mais novos da turma. Ou seja, como Leah irá completar 5 anos em julho e a escola começa em setembro, ela vai ser uma das mais novas da turma. Se eu quisesse, ela poderia ficar fora da escola por mais um ano sem que o conselho tutelar viesse bater na minha porta. 

Se dependesse só de mim era bem provável que agora Leah estaria na pré-escola. Lá no começo do ano marido aceitou ir comigo visitar algumas pré-escolas, mesmo ele ja tendo sua opnião de que é desnecessário. Se eu realmente quisesse botar Leah ele não iria se opor. Eis que entre as visitas ele falou uma coisa sobre esse tempo de pré-escola, que é o último ano que a criança pode ficar em casa e como algumas mães se arrependiam de mandar os filhos pra pré-escola quando podiam ter aproveitado mais esse tempo com eles. Na hora isso não me abateu, afinal o que mais me atraia era o fato de Leah ter uma ocupação e eu ter uma folga. Mas depois eu pensei muito sobre isso. Pensei em todos os anos de escola que ela tem pela frente, em como muito em breve ela vai estar passando mais tempo na escola do que em casa. Porque apressá-la? Porque não aproveitar esse último ano em casa? Mas também me preocupava com a questão do se preparar para o kindergarten. Eu escuto muito aqui entre as mães sobre se preparar para o kinderganten, principalmente agora que vai ser o dia inteiro. Antes era somente meio período, mas esse ano iniciou-se aqui em Minnesota o kindergarten em tempo integral. O dia todo, todo dia. Será que ela vai estar pronta? Será que ela vai ficar pra trás em termos de conhecimento? O que é estar pronta pro kindergarten? Se é pra começar conhecendo todas as letras e seus sons, números, formas geométricas e o porquê o céu é azul, o que essas crianças vão aprender no jardim da infância então? Foi Nesse conflito de pensamentos e sentimentos que eu deixei de lado a idéia de botar Leah na pré-escola.

Quando foi se aproximando a volta às aulas aqui foi como se uma luz tivesse se acendido: vamos fazer pré-escola em casa. Eu já falei um pouco aqui e aqui de como o aprendizado pode ser incorporado nas brincadeiras e atividades do dia-a-dia. Mas quando eu falo em escola em casa, falo sobre um momento mais didático, de se ter um currículo, algo mais próximo da rotina das escolas.

No próximo post  venho contar como e o quê estamos fazendo.


6 comentários :

  1. Aqui é parecido, creche e escola são completamente diferentes, só que a escola começa com 4, e não tem como adiar um ano, embora algumas mães têm conseguido ultimamente na justiça. A Lia nasceu em 28 de agosto e será realmente a mais nova e não tenho a menor intenção de adiar.

    Sobre a pré-escola, se eu não trabalhasse fora, eu teria colocado a Bebella com 3 anos, quando o governo passa a pagar 15 horas semanais, o que dá toda manhã. Eu ainda teria toda a tarde com ela. A Bebella tem MUITOS amiguinhos, a maioria da creche e algumas que não. Dessas, uma ou outra nunca frequentaram a creche ou pré-escola e pelo que vi, todas tiveram uma adaptação bem difícil na escola. Nem pela questão do conteúdo, porque isso a criança pode aprender antes, em casa. Mas a coisa de regras, rotinas, obedecer comandos que não sejam dos pais, dividir atencão (não só com um irmão, mas com 15, 30 crianças). Até a Bebella que foi à creche full-time desde 1 ano está achando umas coisas bem difíceis na escola. Tem mais regras, mais crianças e menos professoras, e ela ainda está se adaptando.

    Enfim, cada criança é diferente e é uma decisão muito pessoal, mas no nosso caso, por estar vendo a adaptação dela e de algumas crianças conhecidas que nunca frequentaram uma creche ou pré-escola, eu colocaria a Bebella sempre na pré-escola.

    Bjs

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  2. Eu acho que a questão da adaptação à escola vai muito de cada criança independente do ambiente que ela saia, seja de casa, da creche ou pré-escola. É um novo ambiente, novas pessoas, cada criança passa por uma adaptação mesmo que em níveis diferentes. Como você mesmo falou, sua filha frequentou a creche desde cedo e ainda teve suas dificuldades com a escola. Então eu acho que não é uma coisa que dá pra prevenir mandando a criança pra escola mais cedo.
    Legal que o governo aí cobre uma parte. Aqui temos a opção de aplicar e dependendo da renda o governo paga. Mas nós preferimos esperar pra mandar só pra escola mesmo.
    Beijos

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  3. meu menino foi para a escola com 4anos o que e obrigado aqui no brasil né, vejo muitas maes colocando filhos na creche sem necessidade, digo isto por que não trabalham fora. penso igual a voce, eles teram a vida inteira para estudar, pq acelerar esse fase? crianças crescem rapido demais . bjs

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  4. Que legal Aline. É difícil de ver isso no Brasil, parabéns por ficar firme no que você acredita ser o melhor que eu sei que a pressão não deve ter sido pouca. Beijos

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  5. Oi Dayane, estava louca para ler e comentar esse post. Adoro esse assunto. Que interessante como funciona tudo por aí. Não fazia ideia! Mas que bom que vocês garantem um tanto de sociabilidade, conhecimento e atividades com as meninas. Acho que está certa! Ninguém melhor do que vocês para saber o que é melhor, já que convivem e conhecem sobre o ensino. Agora, acho que vc não deve se preocupar tanto, pois as crianças avançam a medida que entrarem na escola. Há um pré requisito de conhecimentos para ingressarem na pré-escola? Acredito que não... mas esse jeito que faz, o quanto mais lúdico e próximo da vida delas (contexto social) melhor. Um grande beijo.

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    1. Celi, eu já vi em lugares diferentes, listas com algumas coisas básicas que as crianças devem saber antes de começar o kindergarten. Inclusive na escola que Leah faz essa aula tem no mural lá uma lista dessa. Mas é mais de coisas que são esperadas saber, não é pré-requisito até porque ninguém faz teste pra poder entrar na escola. Eu sei que ela vai aprender o que precisa quando começar e que não tem que entrar com a lista inteira na ponta da língua. Mas sabe como é mãe né? A gente sempre preocupa mais do que deve. hehehe

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